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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010  
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Dia Nacional de Mobilizações e Paralisações com demonstração de solidariedade classista
21/5/2010

       

          O dia Nacional de Mobilizações e Paralisações da CUT, em defesa da redução da jornada semanal de trabalho, foi realizada e acompanhada com atenção por aproximadamente 6 mil trabalhadores que já conquistaram, no mínimo há mais de 10 anos, a desejada jornada semanal de 40 horas. Individualmente, talvez nem precisassem se preocupar com o assunto.
         Desde que a Constituição de 1988 sacramentou a redução da jornada de 48 para 44 horas, diversos acordos foram fechados por categorias bem organizadas, o que resultou em casos como o de 70% dos metalúrgicos e metalúrgicas da base do ABC paulista, que trabalham menos que o previsto pela legislação. No entanto, essa não é a realidade da maioria da classe trabalhadora brasileira. Setores como comércio, serviços e construção civil, para citar alguns, continuam cumprindo jornadas mais extensas.

 

         Presidente da CUT-SP e trabalhador da Mercedes, Adi dos Santos Lima lembra que os mensalistas daquela fábrica conquistaram as 40 horas em 1990 e os horistas, em 1999. "Nosso lema aqui é 40 horas semanais, horas extras nunca mais", diz. Ele explica que os 12 mil trabalhadores e trabalhadoras da Mercedes em São Bernardo, por terem experimentado os benefícios da redução da jornada, compreendem como essa conquista será importante quando estendida a todos, depois de aprovada a proposta de emenda constitucional que trata do tema: "Por isso esse engajamento".

Outra razão é a consciência de que jornadas desiguais para cada região do País emperram acordos coletivos nacionais e facilitam a vida de empresários que querem explorar a mão-de-obra e apostar na estratégia da guerra fiscal, completou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. "A maior concorrente da Mercedes no Brasil é a Volkswagen Caminhões, em Resende, no Rio. Lá os trabalhadores recebem um terço do salário daqui e a jornada é de 44 horas. Isso aprofunda os desequilíbrios regionais e pode ser usado pelos patrões como um fator de intimidação contra aqueles que conseguem condições mais justas e dignas de vida e de trabalho", afirmou.